20 fevereiro 2020

Paladino de quê?


Cai o falso manto da moralidade de Bolsonaro
Portal Vermelho

O arquivamento pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República da denúncia sobre possível conflito de interesses envolvendo o chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), Fabio Wajngarten, sem instaurar investigação, se inscreve como mais um absurdo na galeria de absurdos desse governo. É mais um caso que despe Bolsonaro do falso manto da moralidade.
Ao não apurar as fortes evidências de ilicitudes, a tal Comissão deixa no ar a certeza de que nesse governo vale a velha máxima de que aos amigos tudo, aos inimigos o que seria o rigor da lei. A condicionalidade se aplica porque, num Estado Democrático de Direito, a lei é uma virtude, coisa distante de ser regra no governo Bolsonaro.
Na ausência da lei da democracia, prevalece o nepotismo, o compadrismo e o mais vulgar patrimonialismo. Esse caso se junta a outros, como a tentativa de Bolsonaro de emplacar o filho Eduardo embaixador nos Estados Unidos e a proposta para que o ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra, ocupasse a embaixada no Canadá, sob a justificativa de que a esposa e o filho dele moram naquele país.
Esse festival de sinecuras não surpreende quem conhece a lógica desse projeto de poder autoritário, avesso à ideia do Estado como casa de força da democracia, o império da legalidade. Suas leis são próprias e seguem a máxima de passar o seu pirão à frente quando há escassez de farinha. Tratam o Estado e suas instituições como se fossem extensões das suas cozinhas.
O caso de Wajngarten tem o agravante de ser uma possível operação de compra de apoio midiático, o que exigiria uma apuração mais abrangente, incluindo corruptos e corruptores. Mas prevaleceu o vício histórico do patrimonialismo, em que o público se vê refém do privado. Os comportamentos de certos setores da mídia, que atuam como meros assessores de imprensa do governo, já atingiram proporções de escândalo.
Na verdade, o Brasil está novamente diante da situação de ser governado por um projeto de poder distante dos interesses do povo. Para essa ideia, simplesmente não interessa que os processos institucionais funcionem. Ela representa um setor do Brasil que, de geração em geração, vive da troca de favores, construindo atalhos, traficando influência.
O bolsonarismo não tem mais como esconder o uso da ilegalidade e a prática de ilicitudes como seu jeito de governar. São flagrantes os rompimentos com a lógica da função pública para favorecer determinados interesses, em detrimento de outros, visando a alguma forma de benefício.
A sucessão de crises vai configurando uma catástrofe política, moral e ética, além dos sinais de agravamento nos indicadores sociais e econômicos. Sem respostas para a situação, o governo parece entregue à inércia dos planos propagados com potencial para salvar a pátria que, submetidos à realidade, se revelam um projeto de destruição nacional.
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19 fevereiro 2020

Beco sem saída


Quando o governo Bolsonaro começou, cercado de otimismo e apoio do mercado, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 era 2,53%, segundo o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central junto a instituições financeiras. As reformas econômicas, diziam, começando pela da Previdência, garantiriam investimentos e empregos. Mas por que a recuperação robusta vendida por Paulo Guedes, e alardeada pelos entusiastas do governo, não se concretizou? E o que esperar de 2020? Não obstante o desapontamento com 2019, o mercado, mais uma vez, está às voltas com previsões otimistas. Leia mais http://abre.ai/aLvi

Exclusão


Com Bolsonaro, fila do Bolsa Família já tem 3,5 milhões de pessoas. No final de janeiro, Ministério da Cidadania mentiu ao informar que a lista de espera do programa seria três vezes menor – de 494 mil famílias. Por causa do gargalo real, há um princípio de colapso na rede de assistência social de municípios, sobretudo os pequenos e médios. Sem o dinheiro do programa social, a população voltou a bater à porta das prefeituras em busca de comida e outros auxílios. São os chamados benefícios eventuais, demandas que sobrecarregam as combalidas finanças das prefeituras. Leia mais http://abre.ai/aLvb

Agressão inaceitável


Ao agredir jornalista, Bolsonaro agride a todas as mulheres

A defesa da democracia pressupõe respostas contundentes a cada agressão bolsonarista.
Portal Vermelho
A agressão do presidente da República Jair Bolsonaro à jornalista Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S. Paulo, é um fato da maior gravidade. Sua atitude obscena, indigna para qualquer pessoa, se agrava pelo cargo que exerce. Ao agredir a jornalista, Bolsonaro atinge, de maneira desprezível, o povo brasileiro, em especial as mulheres.
Esse ato insano poderia ser punido pelo que estabelece o Artigo 85 da Constituição, que tipifica os crimes de responsabilidade do presidente da República. O inciso III define como criminoso o atentado ao exercício dos direitos políticos, individuais e sociais.
Pelo que está inscrito nas leis do país, Bolsonaro atentou contra a dignidade, a honra e o decoro do cargo, ao ofender a reputação e a imagem da jornalista, além de tentar cercear o seu direito profissional – mais um ataque à liberdade de imprensa e de expressão.
O presidente cometeu um festival de ilegalidades, mas a questão vai além. Ao se referir a Patrícia Campos Mello dessa forma vulgar, ele agride todas as mulheres. A dura caminhada para banir comportamentos machistas e misóginos sofre um tremendo revés com atitudes como essa.
Bolsonaro desrespeitou a emancipação da mulher, uma ideia civilizatória. E ao proceder assim, deu mais uma enorme contribuição para incentivar comportamentos de violência e agressão de todo tipo às mulheres. Não teve a menor consideração pelos avanços na direção de uma sociedade em que o respeito a todas e a todos seja a regra básica.
Há ainda o fato de que o presidente sempre incorre nesse tipo de atitude torpe. Se houvesse nele algum traço de civilização, poderia ter compreendido que agressões como essa não podem ser toleradas, em nenhuma hipótese. Ele deveria dar o exemplo e, ao invés de incentivar, combater com determinação o que tem praticado.
Essa atitude não pode deixar de ser rechaçada com veemência. A opressão da mulher precisa ser combatida diuturnamente, de todas as formas. A conscientização, a explicação dos motivos que fazem dessa condição algo inaceitável e o estabelecimento de regras que assegurem os direitos da mulher são fundamentais. Mas também é fundamental não aceitar atitudes criminosas como essa.
A defesa da democracia pressupõe respostas contundentes a cada agressão bolsonarista. Defender a Constituição e os demais instrumentos que asseguram a convivência civilizada é fundamental. Mas a sua consecução implica entender que isso é a ideologia da extrema direita. É a ideologia do ódio e da violência. Atitudes como essa do presidente fazem parte da sua visão de mundo, do seu comportamento cotidiano. É preciso contê-la.
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Autoritário e histriônico


Qual será a dele no carnaval?
Luciano Siqueira

Difícil qualificar o presidente da República Jair Bolsonaro, tamanha a variedade de diatribes e trapalhadas que comete quase diariamente.
Para quem se diverte com a sátira e o deboche no carnaval, o cardápio é amplo e variado.
A história do Brasil registra presidentes medianamente despreparados, politicamente frágeis e intelectualmente desprovidos de uma formação adequada ao cargo. Não foram poucos numa galeria em que o ditador general Costa e Silva pontifica.
Entretanto, a ocupação da cadeira presidencial como que cerca o governante de certo espírito de autoridade que o faz aderir à liturgia do cargo e a tentar se comportar adequadamente.
Mas Jair Bolsonaro reúne todos os predicados negativos e sequer tem noção da dimensão institucional da função que ocupa.
Bem ao seu estilo (que seus apoiadores caracterizam como “espontâneo“), não apenas diz bobagens sobre questões centrais da vida do país, como os rumos da economia (que reiteradamente reconhece não compreender), como agride pessoas subvertendo regras elementares de civilidade e se expondo à reprimenda pública e ao ridículo.
A agressão verbal à repórter Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, em termos chulos, expõe ao mundo a dimensão minúscula do presidente. Ataca a democracia. Fere o decoro.
Implica processo judicial.
Aliás, nos dias recentes, como subproduto das baboseiras do presidente, vem subindo a pressão oposicionista para muito além dos segmentos à esquerda. Em vários ringues o capitão tem sido desafiado.
Vinte governadores (fato sem precedentes!), por exemplo, divulgaram uma carta "em defesa do pacto federativo" onde refutam declarações do presidente, feitas no último final de semana, sobre a morte do miliciano Adriano da Nóbrega, na Bahia, de notórias ligações com a família Bolsonaro.
Também reagem os governadores à bravata de Bolsonaro quanto ao ICMS, ao dizer que zeraria o imposto federal sobre os combustíveis se os gestores estaduais o zerassem também. Declaração ridícula e desprovida de qualquer sustentação técnica.
Como em nosso país tropical abençoado por Deus muita coisa acontece durante o reinado de Momo, há que se perguntar: qual será a dele no carnaval?
[Ilustração: Charge de Fernandes]
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Preparando a campanha até as Convenções



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Quem?

Respondendo a uma pergunta que ninguém fez, Bolsonaro afirma que o ministro Paulo Guedes, da economia, continuará no governo. Nessa toca tem coelho, não?